
Caminhos na calçada,
e não se vê,
nenhuma lágriama.
Tenho meu horizonte,
melhor que esse drama.
Na boca sangue.
No meu peito uma chaga.
Prostado nessa calçada,
meu corpo é uma faixa.
Um protesto de rua.
E ninguém sabe ao certo,
os versos tristes que carrego.
As dores e pesâmes por que passei.
Ninguém sentiu,
a fome que corroeu.
O frio que enfrentei.
A solidão que me abraçou.
Sou tão assim indiferente,
que passam por mim,
e não me notam?
Vão sem se perguntarem,
se o amanhã será presente?
Se o chão por onde andam,
será capaz de esmorecer o futuro?
Se essa calçada por onde morro,
tem algum significado?
Se o simbolo da mnha pátria,
é só mais um pano de chão,
onde se limpou,
um passado rico de farsas,
pobre de força.
Passarão por mim,
todos estes famintos,
que não sentem ânsia,
e não sentem nada.
Nada que de mim,
possa ser uma resposta,
ao futuro que tantos filhos,
dessa tão querida e mãe gentil,
irão querer encontrar.
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